sábado, 1 de outubro de 2011

POEMA

CANÇÃO

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio... Cecília Meireles. Poesia. Rio de Janeiro, Agir 1969.

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